segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Sinto-me morto por dentro.

domingo, 14 de outubro de 2012

Acho que estou preso num (mau) episódio da "Anatomia de Grey"

Há dias em que me sinto uma lomba, sinto que fui uma lomba no caminho de alguém. E sinto que foi um camião que passou em cima de mim. Não sei se sabem, mas as lombas também sentem. Se as lombas pudessem ser outra coisa na vida, sem ser lombas, com certeza que eram. Ainda não percebi se sou parvo, sonhador ou se calhar vi é filmes a mais, o que não invalida os dois adjectivos anteriores (ou se calhar vi os filmes errados). Sempre suspirei pelo passado, o que me minou o presente e, me deixou com medo de viver o futuro, fico preso, estático, inércia(nte).
Espero voltar aos dias de daydream, aqueles dias em que o meu coração vivia o presente, aqueles dias em que não tinha medo, aqueles dias em que andava na faculdade descansado e sempre a sorrir. 
Tenho sardas na cara e tenho uma sardinha no meu coração.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Parece que quanto mais e mais rápido eu quero viver, mais lenta a vida se torna.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Sete-Rios. Os carris reluzem o laranja dos semáforos; um laranja que deixa os meus olhos órfãos de todo o espectro de cores. Um laranja que relembra os finais de tarde de Verão. Há uma humidade no ar, típica do primeiro dia de chuva. Os meus pulmões chovem, o meu corpo agua, o meu coração gela. Não consegui identificar nem de onde, mas aquele som perseguiu-me e sobrepôs-se ao eco dos comboios a triturar os carris; uma sinfonia, conhecida, no entanto não identificada pelo meu ouvido, inundou o meu corpo. O meu corpo choveu, os meus pulmões choveram e o meu coração aguou. Um avião passou no céu e eu senti o impulso de ir, "eu sou aquele avião". Quis agarrá-lo, mas vi-o desaparecer por entre as nuvens. Quis ir, mas também quis ficar. Por entre as nuvens, eu sou aquele avião.

domingo, 23 de setembro de 2012

Está a trovejar

Estou a olhar para esta página em branco. O que penso é que é estranho estar de volta e, ao mesmo tempo vejo que isto está tão diferente. Acho que parte da minha vida acompanhou as mudanças do blogspot. Não abria este blog desde Dezembro creio eu e é estranho estar a ler coisas que escrevi há muito tempo. Nem tenho a mesmo fluência escrita que tinha na altura, não tenho os mesmo sentimentos, sinto que há parte de mim que ficou órfã da pessoa que escreveu isso; no entanto, estes rascunhos cibernéticos definem-me (em parte).
As últimas semanas têm sido duras, mais duras que os últimos meses. Depositamos tanta fé nas relações humanas que quando não correm como nós fantasio-idealizamos, caímos num poço estranho e escuro. Todos caímos no mesmo poço e ainda vamos cair mais vezes, mas a vantagem de cair várias vezes, é que sabemos como nos levantar e aprendemos novas maneiras de nos levantar. E o trajecto de ida e volta é sempre uma aprendizagem. Esta fossa dramática é uma merda. Andamos a vida inteira a construir um castelo à nossa volta, para que entre um (pré-?)determinado número de pessoas. Será que sou só eu que acho que o amor pode, e digo pode a medo porque acho verdadeiramente que é, a força motriz das nossas vidas? E será que um amor pode ser tão grande e tão forte que nos deixará embriagado? Será que um dia esse sentimento vai voltar? Está a chover.

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Pequenas coisas

É difícil começar a escrever sobre este ano que passou. Olhando para trás, foi um ano muito rico, no bom e no mau, ainda estou um bocado a... sintetizar/absorver/espremer tudo o que passou. Uma das primeiras memórias que tenho de 2011 é a frase "não quero estar aqui"; lembro-me que passei a passagem de ano num sítio que depois se revelou não ser o adaptado para mim (ou foi? o caminho poderia ter sido diferente...). Lembro-me de pensar "que decisão mais estúpida!". Foi um ano que se foi consolidando. Lembro-me também de começar a preparar um dos projectos mais aliciantes da minha vida, num pequeno café em Sintra, e sentir um pouco mais a responsabilidade patente nos meus, na altura, 21 anos. Lembro-me de passar por uma fase em que merecia levar chapadas, e eventualmente levei essa chapada metafórica e do "seriously?!" passar a ser uma constante na minha vida (e ainda bem e ainda é). Fui testado na faculdade até ao limite, o sem jeito, o mau aluno, e superei isso tudo... parece que sou um super-herói, mas não sou. Sou um rapaz normal. Visitei a Polónia mais uma vez. Mais uma vez fiquei surpreendido com aquele país. A única vantagem de ter infinita memória é o poder  de voltar atrás no tempo num ápice, e recordar tudo o que vivemos, pormenor por pormenor, aquela cara estúpida do nosso colega quarto ou aquela frase mítica dum amigo/a; o handicap é que nos lembramos do bom e do mau e tendo em conta a equação da infinita memória, eu prefiro trocar o x pelo valor errado e não me lembrar de tudo... que fiquem os sentimentos, esses são eternos.
A prova dos 9 foi chegando sem aviso prévio (antecipada por uma experiência piloto de topo que ficará para sempre no meu coração), o teste, o sonho de 2010, a experiência inacreditável... bem, não posso mentir, superou o inacreditável. E é incrível ver a mudança através dos nossos olhos, e é incrível viver com mais 35 pessoas. Foi uma experiência de aprendizagem extrema e dura, mas altamente recompensadora, lembro-me de pensar "agora sim, estou completo" (pena a burocracia toda que vem a seguir). Mas tão cedo não repito. 
Após isso, tive um dia muito estranho com um abre-olhos de bónus (e ainda bem). E ainda tive o prazer de conviver com 20 e não sei quantas nacionalidades.
Chegou a faculdade que nem vale a pena referir a experiência que foi e está a ser, porque todos os dias aprendemos, todos os dias nos tornamos mais independentes e todos os dias nos sentimos mais contentes e mais encaminhados. E entretanto, conheci uma rapariga que me completa e ela sabe bem disso.
Este ano foi cheio! Só que durante os últimos tempos tenho pensado muito numa coisa: responsabilidade(s). Não que me sinta mais responsável, pelo contrário (em certos campos)... sinto que a responsabilidade é uma escolha e não uma obrigação (mas tem essa vertente). Às vezes temos de negligenciar algo por um bem maior (e assim pode tornar-se numa obrigação). E eu escolhi não ser responsável. Porque eu já fui muito responsável e, agora quero viver coisas que não vivi. Não se pode dizer que isso é legítimo ou pode? É que a escolha é minha e isso torna-a genuína, mas será a correcta? Esta necessidade de ser responsável em x campo, deixa-me numa caixa, e sufoca-me. Ao mesmo tempo aprendo com isto, e sinto que temos de estar em permanente escolha... ninguém consegue fazer tudo e eu não ambiciono o tudo.

Vou-me embora, já fiz as malas, e não sei qual é o destino, mas sei para onde quero ir e com quem quero ir, sei que vou passar pelo Porto, por Paris (só P's), por Poznan (é bem... Polónia)... Não sei se deva ter saudades, mas é preciso destruir para construir. Os dias de Outono chegaram para ficar, com galochas calçadas, sorrisos, olhos bonitos e muita ronha. De 2011 levo as pequenas coisas, essas cabem no coração e para elas sou responsável o suficiente.