sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Pequenas coisas

É difícil começar a escrever sobre este ano que passou. Olhando para trás, foi um ano muito rico, no bom e no mau, ainda estou um bocado a... sintetizar/absorver/espremer tudo o que passou. Uma das primeiras memórias que tenho de 2011 é a frase "não quero estar aqui"; lembro-me que passei a passagem de ano num sítio que depois se revelou não ser o adaptado para mim (ou foi? o caminho poderia ter sido diferente...). Lembro-me de pensar "que decisão mais estúpida!". Foi um ano que se foi consolidando. Lembro-me também de começar a preparar um dos projectos mais aliciantes da minha vida, num pequeno café em Sintra, e sentir um pouco mais a responsabilidade patente nos meus, na altura, 21 anos. Lembro-me de passar por uma fase em que merecia levar chapadas, e eventualmente levei essa chapada metafórica e do "seriously?!" passar a ser uma constante na minha vida (e ainda bem e ainda é). Fui testado na faculdade até ao limite, o sem jeito, o mau aluno, e superei isso tudo... parece que sou um super-herói, mas não sou. Sou um rapaz normal. Visitei a Polónia mais uma vez. Mais uma vez fiquei surpreendido com aquele país. A única vantagem de ter infinita memória é o poder  de voltar atrás no tempo num ápice, e recordar tudo o que vivemos, pormenor por pormenor, aquela cara estúpida do nosso colega quarto ou aquela frase mítica dum amigo/a; o handicap é que nos lembramos do bom e do mau e tendo em conta a equação da infinita memória, eu prefiro trocar o x pelo valor errado e não me lembrar de tudo... que fiquem os sentimentos, esses são eternos.
A prova dos 9 foi chegando sem aviso prévio (antecipada por uma experiência piloto de topo que ficará para sempre no meu coração), o teste, o sonho de 2010, a experiência inacreditável... bem, não posso mentir, superou o inacreditável. E é incrível ver a mudança através dos nossos olhos, e é incrível viver com mais 35 pessoas. Foi uma experiência de aprendizagem extrema e dura, mas altamente recompensadora, lembro-me de pensar "agora sim, estou completo" (pena a burocracia toda que vem a seguir). Mas tão cedo não repito. 
Após isso, tive um dia muito estranho com um abre-olhos de bónus (e ainda bem). E ainda tive o prazer de conviver com 20 e não sei quantas nacionalidades.
Chegou a faculdade que nem vale a pena referir a experiência que foi e está a ser, porque todos os dias aprendemos, todos os dias nos tornamos mais independentes e todos os dias nos sentimos mais contentes e mais encaminhados. E entretanto, conheci uma rapariga que me completa e ela sabe bem disso.
Este ano foi cheio! Só que durante os últimos tempos tenho pensado muito numa coisa: responsabilidade(s). Não que me sinta mais responsável, pelo contrário (em certos campos)... sinto que a responsabilidade é uma escolha e não uma obrigação (mas tem essa vertente). Às vezes temos de negligenciar algo por um bem maior (e assim pode tornar-se numa obrigação). E eu escolhi não ser responsável. Porque eu já fui muito responsável e, agora quero viver coisas que não vivi. Não se pode dizer que isso é legítimo ou pode? É que a escolha é minha e isso torna-a genuína, mas será a correcta? Esta necessidade de ser responsável em x campo, deixa-me numa caixa, e sufoca-me. Ao mesmo tempo aprendo com isto, e sinto que temos de estar em permanente escolha... ninguém consegue fazer tudo e eu não ambiciono o tudo.

Vou-me embora, já fiz as malas, e não sei qual é o destino, mas sei para onde quero ir e com quem quero ir, sei que vou passar pelo Porto, por Paris (só P's), por Poznan (é bem... Polónia)... Não sei se deva ter saudades, mas é preciso destruir para construir. Os dias de Outono chegaram para ficar, com galochas calçadas, sorrisos, olhos bonitos e muita ronha. De 2011 levo as pequenas coisas, essas cabem no coração e para elas sou responsável o suficiente.

Sem comentários: